sábado, 30 de maio de 2009

Este País não pode estar bem!!! Noticia no Correio da Manhã

30 Maio 2009 - 00h30

Homicídio: Menina de sete anos estrangulada com cinto de roupão
Tentou resistir ao pai assassino, Maria João soprou as sete velas do seu bolo de aniversário há poucos dias. Anteontem à noite o pai tirou-lhe o sorriso e a alegria com que todos a lembram. Com o cinto de um roupão, estrangulou-a.

João Cerqueira Pinto, 45 anos, viu a única filha morrer asfixiada, deitada no sofá-cama da sala-de-estar do apartamento que tinha partilhado com a ex-mulher até há cerca de dois anos, altura em que se separaram. Eram 19h00.

A menina ainda resistiu, admitiu João às autoridades, após ter sido detido ao final da madrugada
de ontem em Vila Nova de Gaia. Imune ao acto, o homicida continuou a rotina no apartamento do 4º andar de um prédio na rua Aquilino Ribeiro, em São Mamede Infesta, Matosinhos.

Preparou o jantar, pôs a mesa com o seu prato e o da filha. Maria João já estava morta no sofá e no pescoço ainda tinha o cinto.
O assassino esteve em casa com o corpo da filha mais de quatro horas. No apartamento tocava sem parar uma única música de um CD de Tony Carreira. Às 23h10, o assassino decidiu sair de casa. Ligou para o 112. 'Matei a minha filha. A chave de casa está na caixa do correio. Agora vou matar-me', disse à telefonista da central.

Calmamente, saiu do prédio e entrou no seu Opel Corsa preto. 'Vi-o passar normalmente, entrou para o carro, como é normal. De nada desconfiei', disse ao CM uma moradora. De seguida, enviou uma mensagem SMS para o telemóvel da ex-mulher. 'A menina está a descansar com os anjinhos', leu Maria Rosa.

Os bombeiros de São Mamede chegaram em minutos, arrombaram a porta, desapertaram o cinto envolto no pequeno pescoço – mas nada havia a fazer. No fogão da cozinha estava um tacho com arroz. A música, sempre a mesma, não parava de tocar. O cenário era tal que minutos depois um bombeiro saía a chorar. Era brutal o que encontrara.
Pelas 04h30, o cadáver de Maria João foi levado para o Instituto de Medicina Legal. Hoje, o corpo da menina vai a sepultar em Penafiel.


HOMICIDA ESTÁ EM PREVENTIVA
Após ligar para o 112, João Cerqueira Pinto saiu de carro e vagueou entre Matosinhos e Gaia. Por telefone, disse aos psicólogos do INEM e inspectores da PJ do Porto que se ia suicidar, mas não concretizou a ameaça. Foi detido, pelas 06h00, na marginal do rio Douro, em Gaia. Não soube explicar por que matou a filha, mas a PJ diz que agiu num 'quadro de perturbação emocional, ideia de suicídio e apreensão quanto ao futuro da vítima'. Saiu do tribunal para a cadeia de Custóias, em preventiva.


'NUNCA PAGARÁ PELO QUE FEZ'
Sandra Ferreira, de 21 anos, meia-irmã de Maria João, não esconde a dor. Visivelmente abatida e fortemente medicada, a jovem não controla a revolta contra o acto praticado pelo ex-marido da mãe e pai da sua irmã. 'Tem de pagar pelo que fez, e tudo o que lhe aconteça nunca vai chegar', diz a jovem, que ontem só queria despedir-se da menina.
Na Igreja de Capela, em Penafiel, o corpo de Maria João chegou durante a tarde para ser velado. O sentimento era de estupefacção, o choro sofrido da família próxima contagiava. 'Há um sentimento muito forte de revolta. Ele nunca foi violento, até pelo contrário. Não temos explicação', continua Sandra Ferreira, enquanto Marcelo Lourenço, tio da menina assassinada, desabafa: 'Não há explicação. Estamos todos em estado de choque. Ninguém entende o que passou pela cabeça do pai. Conhecia-o como uma pessoa calma.'
A irmã gémea de Sandra, Alexandra, não consegue falar. A mãe permanece na capela, sob forte efeito de medicação.
Ninguém encontra uma explicação. A mãe tinha aceitado confiar a menina ao pai, fora do dia normal de guarda, porque o ex-marido lhe dissera que ia trabalhar 15 dias para o Algarve. Maria Rosa acedeu, confiante de que pai e filha passariam um dia feliz.


VIZINHOS ESTAVAM REUNIDOS
Enquanto o homicida permanecia em casa, a cozinhar e a ouvir música, aparentemente alheio à morte da filha, decorria no hall do prédio a reunião de condomínio, abruptamente interrompida pela chegada dos bombeiros e da PSP, poucos minutos após ter sido dado o alerta. 'Ficámos em choque. Estávamos a conversar quando bateram à porta. Mal abrimos, subiram logo a correr. Só depois de nos contarem percebemos o que tinha acontecido', contou ao CM João Salgueiro, ainda abalado com o drama que aconteceu no prédio onde vive. 'Era uma pessoa simpática e educada, nunca pensei que fizesse tamanho horror', sublinhava, estupefacto, João Reis, dono do café no edifício. 'Ainda anteontem esteve cá com a menina a comprar-lhe o lanche. É inacreditável', desabafou.

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